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(Última atualização: 30/04/2019 - 14:30)
29/04/2019

Nova edição da RAP foca em debater a complexidade do cenário contemporâneo da administração pública

Após as eleições e a posse do novo governo, o setor público brasileiro e sua (falta) de eficiência, volta a assumir um espaço de destaque na agenda política. Predomina uma visão crítica no discurso político que se percebe seja pelas medidas diretas, como o cancelamento de concursos públicos ou as mudanças nas regras de cargos de gratificação; seja indiretamente, pelo discurso dominante acerca da ineficiência da burocracia, da sua captura por grupos de interesse e dos obstáculos burocráticos ao desenvolvimento econômico. Esse é o tema central da nova edição da Revista de Administração Pública (RAP), que já está disponível para leitura.
 
A visão negativa acerca do setor público é ainda mais aprofundada pela narrativa dominante da corrupção sistêmica. Interessante observar que a suspeita de corrupção sistêmica está na gênese de construção do Estado brasileiro desde a administração pública colonial. Entretanto, a Operação Lava Jato, deflagrada em 2014, e a rede complexa de operações e denúncias desde então reveladas foram capazes de materializar e tornar uma imagem viva, a eterna suspeita de um setor público corrupto e ineficiente perante a população brasileira. O número de políticos e funcionários públicos acusados (e em menor número, condenados), o montante dos recursos financeiros envolvidos, o dinheiro exposto em malas na TV nacional, o envolvimento de empresas estatais, como a Petrobras, são apenas alguns fatores que influenciaram essa materialização da teia de corrupção no imaginário coletivo.
 
Os artigos reunidos neste número da RAP nos ajudam a compreender a complexidade do cenário contemporâneo de administração pública. Sabemos que reformas públicas demasiadamente ambiciosas e abrangentes, embora sejam apelativas do ponto de vista político, tendem a falhar em curto prazo. Os trabalhos publicados aqui indicam vários caminhos incrementais de melhoria. Neles são discutidas não apenas as patologias associadas a fenômenos complexos como a Lava Jato, mas também uma série de outros fatores que influenciam direta ou indiretamente o desempenho de organizações públicas em diversos setores, assim como de reformas, como a da previdência. Os artigos deste número ajudam a desmistificar algumas ideias consolidadas (mais recursos não necessariamente se traduzem em melhor desempenho escolar), a situar as organizações públicas num contexto maior (nível socioeconômico dos familiares de alunos em escola ou características demográficas de um país), a apontar reformas concretas de melhoria que possam resgatar a reputação do setor público (transparência), entre outras contribuições.
 

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