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(Última atualização: 10/12/2019 - 16:16)
10/12/2019

FGV EBAPE recebe alunos do Programa IMPM para o Módulo Action Mindset

Durante a segunda semana do Action Mindset Module, foi conduzida a segunda edição do Degendering Management Project, no dia 02 de outubro de 2019, iniciativa criada em 2018 por professores e Alumni da FGV EBAPE, com o propósito de problematizar questões de gênero em organizações sob uma perspectiva de Action Learning. As reflexões contaram com a participação de cinco Alumni que atuaram como facilitadores de aprendizagem, engajados com os participantes do Ciclo 22 do IMPM, provenientes de diferentes regiões do mundo.

Depois de breve apresentação do set de Alumni FGV Ebape – Alexandra de Paiva (BHP Billiton), egressa do MEX, Ana Cristina Costa (BNDES), egressa do IMPM, Augusto Salles (KPMG), egresso MEX, Mariana Lima (Verve), egressa do MEX e Maria Ines Carvalheiro (Petrobras) egressa MEX, a professora da FGV EBAPE Carmen Migueles apresentou dados e questionamentos sobre o global gender gap antes de apresentar o problema-ação abraçado pelo DMP: “Que paradoxos de gênero informam nossas experiências de trabalho em nossas organizações?”. As dinâmicas de aprendizagem-ação foram então conduzidas por comunidades plurais específicas nas mesas-redondas. Em cada mesa, um Alumni mediou os questionamentos e correspondentes dinâmicas, abordando aspectos de ordem político-cultural-emocional. Durante o compartilhamento coletivo, grupos reportaram o que vem sendo feito, destacaram dimensões que impedem avanços mais significativos, e levantaram reflexões sobre como superá-las por meio de action learning coletivo.

Segundo o grupo 1, apesar de se notar maior igualdade de gênero no Ensino Superior, há discriminação contra as mulheres nos meios profissionais, especialmente em áreas que demandam competências de engenharia, como as de óleo e gás. Foi mencionada a persistência do ‘teto de vidro’ para a promoção das mulheres, alimentado principalmente por atribuições da esfera reprodutiva, como o cuidado com as crianças, que ainda são naturalizadas como predominantemente femininas. As mulheres também relatam a necessidade de assumirem um estilo masculino para que sejam ouvidas e respeitadas nos contextos de trabalho.

Segundo o Grupo 2, mesmo com ações afirmativas que buscam inserir mulheres no contexto de trabalho, persistem injustiças nos processos de recrutamento e promoção. Apesar de perfis profissionais semelhantes aos dos homens, mulheres ainda são discriminadas. Além de pouca transparência em muitas dimensões organizacionais, o principal problema são as “grandes diferenças nos salários de homens e mulheres”.

No grupo 3, o foco foram as bruscas transformações em curso na Coréia do Sul. As políticas de inclusão de mulheres nos contextos de trabalho são acompanhadas de batalhas lideradas por homens que não querem renunciar a seus privilégios, uma vez que entendem que as mulheres dispõem de grande poder dentro da esfera doméstica. Também foi lembrado que casos de abuso sexual no trabalho têm ganhado visibilidade crescente. 

O quarto grupo relacionou os paradoxos de gênero à confiança socialmente reservada às mulheres; por um lado se confia nelas para cuidar das crianças, mas por outro, não se confia tanto no desempenho nos negócios. Outro paradoxo estaria ligado ao ordenamento da sociedade, com tensão constante entre tempo reservado às atividades produtivas e à vida privada: “Embora precisemos nos reproduzir individual e coletivamente, atividades profissionais nos obrigam a terceirizar as funções de cuidado e nutrição dos nossos filhos e parentes”.

No Grupo 5, o foco foram os contrastes entre Alemanha e Brasil. Anos de experiências com ações afirmativas na Alemanha ajudaram a reduzir a desigualdade de gênero, com consequente destaque ao país nesse quesito na Europa. Por sua vez, mulheres brasileiras relatam que, uma vez que alcançam posição de liderança nas organizações, encontram crescente número de obstáculos formais e informais para ascensão.        

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