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12/08/2021

Estudo pioneiro examina o desempenho da gestão da inovação em nível de empresas

Há mais de 50 anos, o Brasil está aprisionado na condição de país de renda e tecnologia média que se reflete em seu lento crescimento econômico. Nesta condição, o Brasil encontra-se entre dois desafios: de um lado, os seus altos custos de produção limitam a sua vantagem competitiva frente a economias altamente exportadoras; de outro, o seu nível de capacidade para inovação tecnológica não é suficientemente alto para competir vantajosamente com empresas de economias avançadas no mercado global.

Países que lograram escapar dessa armadilha aumentaram significativamente a sua produtividade e o desempenho exportador, em grande parte, por meio da acumulação de níveis progressivamente mais altos de capacidade tecnológica para inovação em nível de empresas e seu ecossistema. Ou seja, aumentaram a eficácia da gestão do processo de inovação nas empresas, que envolve a transformação de insumos da inovação em seus resultados de mercado.

Pioneiro em nível internacional, o estudo liderado pelo professor Paulo N. Figueiredo, da FGV EBAPE, examinou a eficácia do processo de inovação em 63 empresas de cinco indústrias intensivas em tecnologia de processo e em recursos naturais no Brasil: aço, etanol, celulose e papel, mineração e petróleo. Essas empresas e indústrias representam um faturamento aproximado de 180 bilhões de dólares, cerca de 40% das exportações do Brasil e mais de 30% do valor adicionado na indústria brasileira.

Nesse conjunto relevante de empresas, o estudo examinou, ao longo de 10 anos, a relação entre os insumos (inputs) para inovação (acumulação de níveis de capacidade para inovação tecnológica e mecanismos de aquisição externa e interna de conhecimento para inovação) e os resultados (outputs) do processo de inovação (inovações implementadas, aumento de produtividade do trabalho e desempenho exportador) e encontrou:

(1) Com relação aos insumos (inputs) para o processo de inovação:

  • 70% das empresas estudadas acumularam capacidades tecnológicas até o Nível 3 (capacidade para inovação intermediária);
  • 22% das empresas atingiram o Nível 4 de capacidade tecnológica (ou seja, são seguidores rápidos de líderes globais);
  • 8% das empresas atingiram o Nível 5 de capacidade tecnológica (ou seja, são capazes de implementar inovações em nível de liderança internacional);
  • Foram examinados os fatores que dificultam a transição de empresas do Nível 4 para o Nível 5 de capacidade para inovação tecnológica, especialmente a formação de base organizacional para inovação.

O estudo encontrou uma relação positiva e significativa entre a acumulação de níveis de capacidade para inovação tecnológica e o uso de mecanismos para aquisição externa e geração interna de conhecimento para inovação. Especificamente:

  • Uso de mecanismos para geração interna de conhecimento contribuiu para um aumento de 31% no nível de capacidade para inovação tecnológica;
  • Parcerias baseadas em pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre as empresas e universidades e institutos de pesquisa contribuíram para um aumento de 30% no nível de capacidade para inovação; mais especificamente:
  • A aquisição de conhecimento codificado e as interações com universidades baseadas em treinamento, educação formal e assistência técnica foram mais importantes para as empresas elevarem a capacidade para inovação tecnológica de Nível 2 para o 3.
  • Já as parcerias baseadas em P&D com universidades e institutos de pesquisa foram mais importantes para a acumulação e sustentação de Níveis 4 e 5 de capacidades para inovação tecnológica.

Com relação aos resultados do processo de inovação (outputs) o estudo encontrou:

  • Implementação de um espectro de atividades inovadoras desde adaptações de tecnologias existentes, inovações baseadas em design e engenharia até os mais avançados níveis de P&D nas empresas que acumularam níveis progressivamente mais altos de capacidade tecnológica.
  • Aumento médio de 55% na produtividade nas empresas menos produtivas, associado à acumulação de níveis de capacidade tecnológica além do nível básico (Nível 2).
  • Aumento médio de 38% na produtividade nas empresas mais produtivas, associado ao aumento do nível de capacidade tecnológica do Nível 3 para o 4.
  • Aumento médio de 37% no desempenho exportador nas empresas menos exportadoras, associado à acumulação de níveis de capacidade tecnológica para inovação além do básico (Nível 2).
  • Aumento médio de 52% no desempenho exportador nas empresas mais exportadoras, associado à acumulação de capacidade para inovação tecnológica além do Nível 3.
  • Portanto, o estudo demonstra como o esforços eficazes de acumulação de capacidade para inovação tecnológica geram benefícios em termos de aumento de produtividade do trabalho e desempenho exportador em nível de empresas.

Segundo o coordenador do estudo, Prof. Paulo N. Figueiredo: “O Brasil precisa urgentemente aumentar sua taxa de inovação para agregar valor à economia e acelerar seu crescimento econômico. Isto depende, em grandíssima parte, do aumento da eficácia do processo de inovação nas empresas, o que implica gerar e gerir capacidades tecnológicas para promover e obter valor da inovação. Os esforços empresariais e as políticas públicas precisam convergir nessa direção.”

Baseando-se em desenho inovador e multimétodos, o estudo foi realizado dentro do Programa de Pesquisa em Aprendizagem Tecnológica e Inovação Industrial no Brasil, da FGV EBAPE.

Buscando conectar-se com as demandas e questões prementes das cinco indústrias estudadas, grande parte do desenho deste estudo emergiu a partir da interação direta com dirigentes das empresas e demais organizações do ecossistema dessas indústrias.

Para ler o estudo completo publicado clique aqui.

Paulo N. Figueiredo é professor titular de gestão de tecnologia e inovação e professor dos programas de doutorado e mestrado acadêmico da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE); Pesquisador Associado Sênior, University of Oxford, Reino Unido; Pesquisador, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Pesquisador Associado, Centro de Novo Desenvolvimentismo, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP); Criador e coordenador do MBA em Gestão da Inovação e Capacidade Tecnológica (FGV IDE). Fundador e editor-chefe do International Journal of Technological Learning, Innovation and Development (IJTLID), Reino Unido – www.inderscience.com/ijtlid

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