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Pesquisas

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Tema 1- Competividade e Desenvolvimento Empresarial

Formalização de microempreendedores

Coordenador:

Cesar Zucco


Descrição: Há um grande volume de microempreendedores informais em países em desenvolvimento como o Brasil. A informalidade traz diversas consequências negativas tanto para o Estado (como a evasão de impostos) quanto para os microempreendedores em termos de restrições a financiamento, possibilidades de crescimento e falta de acesso à previdência social. Apesar do desenvolvimento de meios de formalização de fácil ingresso e com custos mais baixos para os microempreendedores, as taxas de adesão ainda são limitadas. Entre os motivos para isso, podemos citar a desinformação e limitações comportamentais, como a falta de atenção e esquecimento. 

O estudo proposto avaliará a eficiência de diferentes abordagens para incentivar a formalização de microempreendedores que atuam na informalidade. Será utilizado um experimento de campo, realizado em conjunto em diferentes países, para avaliar os efeitos de consultorias individuais sobre a formalização. No Brasil, além deste tratamento, serão avaliados também os efeitos de mensagens de texto, inclusão em grupos de WhatsApp e o endosso de diferentes figuras públicas. Como resultado, serão identificadas ações que podem ser incorporadas a políticas públicas para incentivo à formalização. 

A pesquisa será realizada de forma coordenada nos seguintes países: Brasil, Colômbia, Congo, Nigéria, Índia e Malaui. A coordenação será feita por pesquisadores da FGV EBAPE (Brasil); UCLA (Colômbia); MIT e Harvard University (Congo); Giorgia Tech, Columbia University e EGAP (Índia); University of Illinois (Malaui) e American University (Nigéria). 

Compreender as recomendações de uso de produtos com base em atributos menos importantes

Coordenador: 

Fabio Caldierado


Descrição: Para divulgação de produtos, as empresas utilizam seus atributos menos importantes, esperando que os indivíduos façam a escolha em detrimento do produto de seus concorrentes.  

Podemos citar como exemplo o caso das empresas farmacêuticas ao recomendarem seus medicamentos vendidos sem prescrição médica (OTC) em detrimento dos seus concorrentes: a Pfizer utiliza o argumento de que suas pílulas de alívio da dor (Advil), por terem “cápsula líquida”, são absorvidas mais rapidamente e de forma mais suave para o estômago, enquanto a Johnson e Johnson anuncia a droga concorrente enfatizando que “Tylenol tem menos interações medicamentosas".  

Essa situação não é exclusiva para drogas OTC. As empresas frequentemente se valem, na publicidade, de atributos menos importantes para distinguir suas marcas das de outras alternativas viáveis. Indivíduos ingênuos, que acreditam nas mensagens anunciadas ou aqueles que estão fortemente preocupados com os atributos menos importantes comunicados, optam pelo que recomendado; outros podem reagir de forma diferente, em particular se reconhecerem que esses produtos têm múltiplos benefícios e que as empresas podem ter um incentivo apenas para comunicar informações comparativas sobre as características que superam as alternativas concorrentes. Uma melhor compreensão desse fenômeno pode ser utilizada por formuladores de políticas públicas para melhorar a regulamentação da propaganda e melhorar os programas de educação do consumidor. 

As consequências dessas políticas podem beneficiar diretamente os indivíduos, capacitando-os para fazer melhores escolhas. Assim, esse estudo tem por objetivo entender a reação dos consumidores às recomendações baseadas em atributos menos importantes e o incentivo das empresas de usar (ou não) esses tipos de recomendações. A proposta é que o estudo seja realizado em parceria com a University of Georgia - EUA. 

Governança e processo de decisão coletiva em organizações mutuais

Coordenador: 

Joaquim Rubens Fontes Filho 


Descrição: Esta pesquisa tem como objetivo identificar, classificar e analisar como são definidos e realizados os processos de decisão coletiva em organizações não-hierárquicas e a forma como se configura a governança nessas condições. O estudo visa expandir para um contexto internacional as análises já realizadas neste tema no Brasil. A escolha do Equador (Universidade Andina) representa tanto uma forma de consolidar uma parceria com o programa de Doutorado em Administração do país, e único na região, como ampliar a análise a outro contexto cultural onde o associativismo se mostra mais desenvolvido, mas a urbanização ainda é menor. Nesse sentido, a parceria permitirá submeter o modelo analítico – fundamentalmente baseado em propostas de Elinor Ostrom (vários anos), Elster (1989) e Bengtsson (1998 e 2001) à influência da cultura e valores locais de associativismo. 

Segundo Elinor Ostrom (1990; 2005), prêmio Nobel de Economia de 2009, as organizações cooperativas têm papel fundamental na gestão de recursos comuns, uma vez que emanam da organização dos principais envolvidos em determinada questão sob a qual o Estado é ineficiente ou ausente e o mercado não tem interesse ou poder para agir. Apesar de menores considerações feitas pela academia quanto à dinâmica dessas organizações, sua importância pode ser comprovada em números: a Pastoral da Criança conta com um quadro de 150.000 pessoas e presta serviços a mais de 1,5 milhão de indivíduos; a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) arrecada 40 milhões de reais por ano; e o Grupo de Apoio ao Adolescente e às Crianças com Câncer (Graac) reúne 12 milhões de reais por ano (VEJA, 2001). Isso porque estamos falando apenas de organizações filantrópicas. O movimento cooperativista, segundo a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB, 2009), conta com mais de 7.200 cooperativas, com 8,2 milhões de associados, 270 mil funcionários e faturamento de 88,5 bilhões de reais em 2009. Todo esse sistema se baseia em mecanismos de participação, em geral voluntária, e a alocação dos direitos políticos (voto) é distribuída uniformemente aos participantes. Conforme a FASFIL, levantamento do terceiro setor realizado pelo IBGC, os condomínios em edifícios, horizontais ou verticais, residenciais, comerciais ou mistos, regulados pela Lei no 4.591/1964, e as associações de condomínio totalizaram, em 2010 (último dado da pesquisa), 153.441 unidades, representando um mercado estimado pelo setor em R$ 10 bilhões ao ano. 

 

Tema 2 - Desenvolvimento Econômico e Social

Melhoria da educação pública brasileira, da Educação Infantil ao Ensino Médio

Coordenador: 

Kaizô Iwakami Beltrão 


Descrição: Outros países estão muito à frente do Brasil em relação à qualidade da educação pública oferecida à sua população, como demonstrado nos resultados do PISA (Programm for International Student Assessment) realizado pela OCDE a cada três anos. Apesar da melhora apresentada, principalmente em Matemática, os resultados de aprendizagem dos jovens brasileiros de 15 anos estão entre os piores dos 72 países e economias avaliados em 2015. 

Além de ser um direito garantido pela constituição brasileira, nós entendemos a educação de qualidade como um dos principais caminhos para a redução das desigualdades sociais do país. A baixa qualidade da educação brasileira apresenta-se, hoje, como um grave empecilho ao crescimento econômico inclusivo do país. Assim, pretendemos colaborar com instituições internacionais para produção de conhecimento e criação de cursos que apoiem as secretarias de educação brasileiras na implementação de políticas educacionais que resultem na melhoria da aprendizagem dos alunos de forma equitativa. 

Tema 3 - Inovação e tecnologia

Machine Learning para avaliação de auditorias públicas

Coordenador: 

Ricardo Lopes Cardoso 


Descrição: Desenvolver soluções (aplicativos - Apps) em Machine Learning para avaliar a qualidade das auditorias realizadas pelos Tribunais de Contas sobre a gestão fiscal dos municípios brasileiros. Em 2017, o Brasil gastou cerca de R$ 6 bilhões em Controle Externo. No entanto, os frequentes escândalos de corrupção envolvendo agentes públicos e a inadequada alocação de recursos públicos levantaram dúvidas quanto à independência e à qualidade do controle exercido pelos tribunais de contas. 

Dessa maneira, o desenvolvimento de soluções (Apps) em Machine Learning (ML) apoia a correta realização de auditorias, evitando manipulações e garantindo a correção de todo o processo, com base em dados realmente confiáveis. Isso é fundamental quando assumimos que a a contabilidade e a auditoria governamental são Big Data e quando levamos em conta que o Brasil tem mais de 5.000 municípios que elaboram relatórios financeiros compostos por diversas demonstrações e notas explicativas, e que tudo isso é “supostamente” auditado por tribunais de contas que produzem extensos relatórios de auditoria;

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