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(Última atualização: 08/03/2018 - 18:10)
08/03/2018

Governança corporativa e integridade empresarial são discutidos em evento no Rio

Transparência e prestação de contas, integridade, o fator humano versus falhas corporativas, responsabilidades do investidor e da sociedade civil foram alguns dos temas abordados durante o Painel Governança Corporativa e Integridade Empresarial. O evento foi promovido pela Rede Alumni da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE) em parceria com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) no dia 22 de fevereiro, na sede da FGV, no Rio de Janeiro.

No evento, o debate concentrou-se em avaliar, a partir de vários vieses, a contribuição das melhores práticas de governança corporativa para uma atuação mais íntegra nas organizações, tema relevante, principalmente, pelo momento atual do país em que a sociedade pleiteia a mudança de comportamento nas estruturas de governança, e na observação de padrões éticos, como pontuou o professor Flavio Vasconcelos, diretor da FGV EBAPE, na abertura do painel.

O objetivo do painel e da publicação homônima lançada recentemente pelo IBGC, mais do que trazer o debate, é estimular uma atuação íntegra das organizações como forma de se construir um novo cenário da gestão nacional, pautado, sobretudo, na ética, afirmou o coordenador Geral do Capítulo do IBGC (RJ), João Laudo de Camargo. Essa visão é corroborada por Carlos Brandão, um dos autores do livro. Segundo ele, é importante articular a identidade da empresa, sua cultura organizacional, assim como detalhar a sua estratégica, buscar a integridade, o alinhamento entre as práticas dentro da companhia, pois para atuar em conformidade com normas e padrões, é preciso liderar pelo exemplo, construindo um modelo a ser seguido por gestores de todas as áreas da empresa para que, aos poucos, seja possível melhorar o ambiente empresarial brasileiro.

Além de as empresas seguirem condutas mais íntegras é importante que elas busquem o ponto de equilíbrio ao criar programas internos de controle e supervisão. Na visão do professor da FGV EBAPE, alumno (ex-aluno) da Escola e conselheiro da FGV Previ, Joaquim Rubens, “é preciso questionar a necessidade de as companhias criarem inúmeros sistemas de controle, uma vez que o número crescente destes podem impactar na gestão e até mesmo reduzir a competitividade. Ao identificar falhas em suas atividades, as companhias precisam também analisar o fator humano. O principal desafio não só para os gerentes, mas para todos nós, é ter a capacidade de identificar quando ações tomadas podem ser danosas para as organizações”, finaliza o professor.

Ao passo em que as companhias precisam cobrar que seus executivos tomem decisões pautadas na ética, ao analisar o cenário de regulamentação e transparência no país, João Laudo de Camargo ressalta que “para equacionarmos os nossos desafios, a sociedade civil organizada deve prestar a sua colaboração, acompanhando o desempenho das atividades das empresas. E para que a supervisão possa ocorrer é fundamental que haja a transparência e a prestação de contas. Um exemplo que pode ser seguido é o da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que apresenta, ao mercado, uma matriz de risco de várias áreas de atuação da empresa, acompanhada de uma prestação de contas semestral”.

A transparência torna-se então um dos meios pelo qual as empresas demonstram se atuam em conformidade com as leis em vigor. No caso da CVM, o conselheiro fiscal de empresas de capital aberto Renato Chaves tem notado o crescente número de Insider Trading o que resultou na prisão de muitos executivos.  Em um julgamento, a CVM pode aplicar multas pesadas, que podem chegar a R$ 50 milhões ou até mesmo desqualificar a empresa no mercado de capitais.

Já do ponto de vista do investidor na questão da integridade empresarial, a conselheira de administração do IBGC, Isabella Saboya, evidencia que o perfil de confiança do investidor vem mudando. Há algumas décadas, a relação do investidor com a empresa aberta era mais próxima. Ao longo dos anos, criaram-se intermediários nas negociações (corretores, analista de investimentos, bancos, entre outros), o que contribuiu para gerar um distanciamento na relação entre investidor e empresa.

“Os investidores institucionais precisam ser mais atuantes. É necessária a participação nas assembleias, conselhos, reuniões não só com a área de finanças, compliance, mas com o setor jurídico e a governança, acompanhando quais são os objetivos da empresa, como ela atua, de que forma é aplicado seu código de conduta, dentre outros. Quando as empresas não se organizam, não definem o que é importante para elas em termos sociais, ambientais e de governança elas se tornam frágeis”, completou Isabella.

O evento apresentou as principais temáticas debatidas no cenário nacional e conforme ressaltado pela coordenadora da Rede Alumni EBAPE Darliny Amorim, os eventos promovidos pela rede têm como objetivo tratar temas de grande relevância para diversos setores da gestão no país e promover o debate e a troca de conhecimento entre egressos, alunos e convidados, promovendo interação contínua e oportunidade de networking.

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